Reforma Tributária em 2027: o que muda e quais decisões sua empresa precisa tomar ainda em 2026
Reforma Tributária
Cenário Tributário
14 de set de 2026
10 mins

A Reforma Tributária em 2027 entra em uma nova etapa. PIS e Cofins serão extintos, a CBS avança no novo sistema de tributação do consumo, o Imposto Seletivo entra em vigor e o IPI terá suas alíquotas reduzidas a zero para a maior parte dos produtos, observadas as exceções previstas. O IBS segue seu período de transição.
Para as empresas, porém, entender o que muda na Reforma Tributária em 2027 exige olhar além das novas siglas e alíquotas.
A mudança chega à formação de preços, aos contratos, à relação com fornecedores, aos créditos tributários e ao fluxo de caixa. Por isso, muitas das decisões que vão determinar como uma empresa entra em 2027 precisam ser tomadas ainda em 2026.
O que muda com a Reforma Tributária em 2027?
O ano de 2026 funciona como um período importante de implementação e adaptação à nova realidade tributária. Em 2027, a transição avança de maneira mais significativa.
Entre as principais mudanças estão a extinção de PIS e Cofins, o avanço da CBS, a entrada em vigor do Imposto Seletivo e a redução a zero das alíquotas do IPI para a maior parte dos produtos, respeitadas as exceções previstas. O IBS continua em transição, enquanto a substituição de ICMS e ISS acontecerá gradualmente nos anos seguintes.
Mas conhecer o cronograma é apenas o começo.
Para as empresas, a questão mais importante é entender como a Reforma Tributária afeta a operação e quais decisões precisam ser antecipadas.
Esperar todas as definições estarem concluídas para começar a agir pode reduzir o tempo disponível para simular cenários, negociar com fornecedores e clientes, revisar contratos, preparar sistemas e corrigir processos.
O preço de 2026 pode não fazer sentido em 2027
Um dos pontos que merece atenção está na formação de preços.
A reprecificação para a Reforma Tributária não deveria acontecer apenas pela substituição de PIS e Cofins pela CBS. A nova lógica de tributação e creditamento pode alterar custos existentes ao longo da cadeia e, consequentemente, a composição econômica dos preços.
É nesse cenário que o resíduo tributário ganha relevância.
Um dos pontos que merece atenção está na formação de preços.
A reprecificação para a Reforma Tributária não deveria acontecer apenas pela substituição de PIS e Cofins pela CBS. A nova lógica de tributação e creditamento pode alterar custos existentes ao longo da cadeia e, consequentemente, a composição econômica dos preços.
Isso exige olhar para preço bruto e preço líquido.
Se um fornecedor passar a aproveitar créditos sobre custos que antes não geravam crédito, por exemplo, qual será o impacto sobre o preço líquido da operação? E quanto dessa mudança deveria aparecer em uma negociação?
A mesma análise vale para a venda. Uma alteração na composição tributária pode modificar margem, preço e competitividade.
Por isso, contratos e negociações que atravessarão a virada precisam considerar a nova realidade. O preço praticado em dezembro de 2026 não necessariamente terá a mesma composição econômica em janeiro de 2027.
Seus fornecedores também fazem parte da preparação
A preparação para a Reforma Tributária 2027 não termina dentro da própria empresa.
Documentos fiscais, cadastros e informações utilizadas nas operações de compra dependem também dos fornecedores. Uma companhia pode preparar seus processos internos e ainda enfrentar problemas se parte da cadeia não estiver adequada às novas exigências.
Isso torna importante identificar não apenas os maiores fornecedores, mas principalmente aqueles que são críticos para a continuidade da operação.
Também existe um efeito tributário nessa relação.
Com a nova sistemática, a operação realizada pelo fornecedor ganha ainda mais relevância para a gestão do crédito tributário do adquirente. Isso exige acompanhamento da cadeia e pode mudar inclusive a maneira como propostas comerciais são comparadas.
O fornecedor com o menor preço bruto nem sempre representará o menor custo efetivo quando entram na análise os créditos tributários, o resíduo incorporado ao preço e as condições da operação.
Para Compras, Fiscal e Financeiro, essa passa a ser uma discussão conjunta.
Os contratos precisam acompanhar a nova realidade tributária
Se preços, créditos e formas de recolhimento mudam, os contratos que continuarão vigentes em 2027 também precisam ser analisados.
Cláusulas genéricas que apenas preveem o repasse de alterações tributárias podem não responder a todas as situações trazidas pelo novo sistema.
Como uma mudança na tributação será refletida no preço? Quais responsabilidades cabem a cada parte? O que acontece quando uma obrigação não é cumprida? Como eventuais impactos sobre créditos e pagamentos serão tratados?
Essas definições precisam acontecer antes da execução.
Além disso, aquilo que estiver previsto contratualmente precisa ser viável na operação. Jurídico, Compras, Fiscal, Financeiro e Tecnologia precisam trabalhar com as mesmas regras.
Um contrato pode estar adequado no papel e, ainda assim, gerar problemas se os processos e sistemas não estiverem preparados para executá-lo.
A Reforma Tributária também pode mudar o caixa
Outro ponto importante para 2027 é o impacto financeiro.
Analisar apenas se a carga tributária aumenta ou diminui pode esconder efeitos relevantes sobre o capital de giro.
A forma e o momento de recolhimento dos tributos, o aproveitamento dos créditos, os prazos negociados com clientes e fornecedores e mecanismos previstos pela Reforma, como o Split Payment, aproximam ainda mais a operação tributária da operação financeira.
Por isso, uma simulação completa precisa responder a duas perguntas: qual será o impacto tributário e qual será o impacto financeiro?
Essa análise deve considerar prazos médios de pagamento e recebimento, disponibilidade dos créditos, recebimento líquido e ciclo de caixa.
A transição de PIS e Cofins também merece atenção. Empresas que possuem créditos acumulados precisam conhecer sua posição e avaliar os impactos da mudança antes da extinção das contribuições.
Para o CFO, a Reforma Tributária passa, portanto, pela carga tributária, mas também pela disponibilidade de caixa para sustentar a operação.
O que sua empresa precisa decidir ainda em 2026?
Não existe um único plano de preparação que sirva para todas as empresas. Os impactos variam de acordo com setor, cadeia de fornecedores, modelo de negócio, perfil de créditos e estrutura operacional.
Algumas perguntas, porém, já deveriam fazer parte das discussões:
• Qual será o impacto da Reforma sobre preços e margens?
• Existem resíduos tributários incorporados aos preços atuais?
• Quais fornecedores são críticos e estão preparados para 2027?
• Quais contratos atravessarão a mudança e precisam ser revistos?
• Como a nova dinâmica de créditos e recolhimento pode afetar o caixa?
• Sistemas, documentos fiscais e parametrizações estão preparados?
• Quem será responsável por acompanhar e implementar cada uma dessas mudanças?
Responder essas perguntas antes da virada permite transformar a legislação tributária em decisões concretas para o negócio.
2027 começa antes de janeiro
A Reforma Tributária brasileira muda mais do que os tributos incidentes sobre uma operação. Ela afeta a forma como as empresas compram, vendem, formam preços, negociam contratos, administram fornecedores, aproveitam créditos e gerenciam caixa.
Por isso, 2026 é o momento de transformar as mudanças previstas na legislação em cenários para a realidade de cada empresa.
Quanto antes esses impactos forem identificados, maior será o espaço para simular, negociar, testar e corrigir antes da virada.
A preparação para 2027 não termina em entender IBS, CBS, Split Payment ou crédito tributário. O desafio está em entender o que essas mudanças representam para cada decisão da empresa.
Sua empresa já sabe qual será o impacto da Reforma Tributária em 2027?
A ROIT apoia empresas na preparação para a Reforma Tributária, conectando os impactos da nova legislação à realidade de preços, contratos, fornecedores, créditos, sistemas e fluxo de caixa.
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